4.03.2007

Destino do vestir

Já percebeu que grande parte do seu salário é ligeiramente consumido pela moda? Já percebeu que em loja de roupas seu salário praticamente desapa-re-ce? Já reparou que mesmo achando a coisa mais ridícula do mundo você se depara consumindo produtos de catálogo (pior: você é movida pelo impulso e acaba gastando mais do que pretendia gastar). Impressionante! Você está sem dinheiro, está consciente disso, mas insiste em perambular pelas lojas e acaba se apaixonando pela blusinha ‘mais linda do mundo’ (detalhe: depois de três semanas no guarda roupas ela passa a ser apenas mais uma). Já parou pra pensar que isso acontece com todo mundo, e que o mercado da moda sobrevive do consumo desesperado e compulsivo dos consumidores? É claro que existem lá suas exceções. É claro que tem gente que só vai ás compras quando realmente precisa. Mas convenhamos que hoje em dia é cada vez mais difícil encontrar consumidores desse perfil. Até mesmo os homens, que em décadas vizinhas não eram lá a vaidade em pessoa, hoje procuram pela beleza Brad Pitiana metrossexual. E como esse mercado cresce! Onde iremos parar? A cada dia marcas novas vão aparecendo, com propostas diferentes ou até iguais as que já existem, o mundo da moda nunca esteve tão perto das pessoas como hoje em dia, a informação da moda nunca esteve tão ao alcance de todos. E a moda passa por um processo totalmente descartável, onde somos bombardeados com novas tendências a cada seis meses, e como nosso modo de vestir é o espelho da nossa informação, somos compulsivamente levados a aderir novas blusinhas, calças e por aí vai, obrigados de algum modo a gastar nosso salário tão suado. E quando tudo passa? Quando seu armário lota? Somos “obrigadas”, mesmo que com peso na consciência, a ir aos brechós para vender aquelas roupas que um dia foram as “mais lindas do mundo” ou a doá-las.
A roupa sem dúvida é algo extremamente essencial, não há como fugirmos dela, sejam trapos, alta costura ou grifes caríssimas.
O fato mais aceitável para esse consumo sem fronteiras é o ser humano tentando sempre estar à frente, a buscar o seu lugar diante da sociedade (totalmente aceitável), assim nos tornamos um outdoor de duas pernas, visivelmente somos o que vestimos, a sociedade impõe assim, a roupa é extremamente importante quando se trata de negócios e é por ela que taxam você, mas isso não vem de agora, é uma maneira de pensar que já foi pré estabelecida e você não tem culpa se pensa da mesma forma.
E é exatamente dessa forma que o mercado da moda lida com a angústia das pessoas de sempre quererem aparentar a sua importância, o seu sucesso, querendo passar sempre para as outras o quanto podem.

Por Lais e jaQ.

2 comentários:

Anônimo disse...

gostei dos termos 'Brad Pitiana metrossexual' e 'outdoor ambulante'!

Carol Wudich disse...

adoro os textos de vcs!
e realmente, qndo vemos uma roupa que têm o nosso estilo, achamos lindíssimo, e queremos à todo pano comprá-la.
Até mesmo as tendências, eu que antes, não gostava de usar calças jeans justas, agora só estou comprando jeans skinny. E acho um máximo.
Meu namorado vê uma camiseta, uma roupa, fica todo louco pra comprar.
Até mesmo amigos meus, que são todos "à la socialistas", às vezes me falam que viram uma roupa linda que compraram, ou que queriam poder comprar.