4.20.2007

Têxtil registra em março maior déficit desde novembro de 1997

O déficit da balança comercial do setor têxtil e de confecção brasileiro atingiu US$ 91 milhões em março, o pior resultado mensal desde novembro de 1997. Esse valor é 840% superior ao saldo negativo registrado em igual mês do ano passado, que era de US$ 9,7 milhões. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), esse resultado é reflexo dos fatores macroeconômicos adversos, sobretudo, a valorização do real frente ao dólar.
Depois de uma ligeira recuperação em fevereiro, quando as vendas externas de artigos têxteis e confeccionados subiram 6% na comparação com janeiro, em março as exportações voltaram a cair. Em valores, foram exportados US$ 190,7 milhões, uma queda de 1,95% em relação a março de 2006. No acumulado dos três primeiros meses do ano a baixa é de 0,70% sobre igual período de 2006, com embarques de US$ 525 milhões em mercadorias (matéria-prima e produtos manufaturados).
Incentivadas com a baixa do dólar, as importações, ao contrário, vêm aumentando. No mês passado, o crescimento foi de 38% sobre março de 2007. As compras externas de roupas aumentaram 12,8% em valores em comparação com igual período em 2006. No acumulado de janeiro a março, o aumento é de 21%.
R20;Com base no comportamento da balança comercial nesses três primeiros meses do ano e, caso permaneça o atual cenário, a ABIT projeta que em dezembro o saldo comercial atingirá US$ 900 milhões negativos, implicando a perda de mais de 200 mil postos de trabalho no Brasil. Estamos perdendo empregos aqui e gerando empregos e investimentos na Ásia”, lamenta Pimentel.
Além dos fatores macroeconômicos desfavoráveis, como a alta carga tributária e juros elevados, a indústria têxtil enfrenta ainda a concorrência desleal dos produtos importados, com indícios de subfaturamento, falsa classificação fiscal e descaminho, apesar dos esforços da Receita Federal para intensificar a fiscalização. Em março, por exemplo, o preço médio do vestuário importado ficou a US$ 8,74 o quilo, valor bem abaixo do praticado em outros países, como na Argentina, onde o preço médio do quilo do vestuário, em 2006, foi de US$ 17,86; ou nos Estados Unidos, cujo quilo é US$ 17,37%. Em fevereiro, 62,2% do volume total de roupa importada registraram o preço médio foi de US$ 4,67 kg. “É fisicamente impossível produzir um quilo de vestuário a este preço”, afirma Pimentel.
Outros indícios de irregularidades detectados pela entidade em fevereiro foram a compra de 230 mil pares de luvas de lã a US$ 0,07 o par e a entrada de 57 mil biquínis custando US$ 0,38 a unidade.


via ABIT.

por jaQ.

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